Não se sabe exatamente quem inventou a massa, mas o que é certo é que os italianos a transformaram num alimento universal, que serve ricos e pobres. Mas, como ela chegou à Itália? Vamos conhecer um pouco dessa história, segundo a enciclopédia Treccani.
A chegada na Itália
Foi só em 1295, segundo a tradição, que Marco Polo fez os ocidentais descobrirem a massa, depois de tê-la comido na China, e já no início do século XIV existem indícios de fábricas de massa em Gênova. Até o final do século XVI, porém – apesar da prosperidade de alguns centros produtivos, como Sicília, Ligúria e Campânia – o consumo de macarrão não se propagava entre as classes pobres, também devido ao seu custo então elevado. Somente no século XVII, com a disseminação da gramola – equipamento doméstico que torna a massa macia e homogênea – e a invenção da prensa mecânica, a produção tornou-se abundante, os preços caíram e o consumo aumentou consideravelmente. Nesse período, inúmeras fábricas de massas alimentícias surgiram na região napolitana, onde as condições climáticas, com ar seco e ventilado, permitiam a produção abundante de massas secas. Até então, a massa sempre se acompanhava de vegetais e, sobretudo, de queijos: no máximo, nas casas das classes abastadas, servia de recipiente para recheios de carne e vegetais, como os atuais raviólis. Muitas vezes era servido em combinações de agridoce.
Macarrão com molho de tomate
Na primeira metade do século XVII ocorreu a grande revolução: na área napolitana, sob o domínio espanhol, foram introduzidos os tomates, que haviam sido trazidos do Novo Mundo para a Europa por algumas décadas. Foi uma revolução lenta, mas progressiva. Por muito tempo, de fato, o tomate foi visto com desconfiança e usado apenas como planta ornamental. Superados medos e superstições – pensava-se que seus frutos eram venenosos -, a combinação com a massa era quase natural e tão avassaladora que se tornou o prato básico para populações de condições humildes, dado seu baixo custo. A área napolitana ultrapassou rapidamente a área da Sicília em termos de produção e consumo. O novo prato, porém, não entrou imediatamente nos refeitórios das famílias nobres: durante muito tempo, de fato, a massa, em suas novas formas, era comida com as mãos e vendida nas esquinas por vendedores ambulantes, já abastecidos com carrinhos. , carregando grandes panelas fumegantes e temperadas. A massa era servida por pouco dinheiro em pedaços de papel e comida na rua. Só no início do século XVIII é que os nobres também se aproximaram do novo prato, não por terem vencido antigas desconfianças, mas porque entretanto tinha sido inventado – seria melhor dizer reinventado e melhorado – um instrumento essencial para comer massa: o garfo. Já conhecido há alguns séculos, até então tinha apenas duas pontas: a ideia de trazê-los para quatro veio, segundo a tradição, a um camareiro da corte do Reino de Nápoles, Gennaro Spadaccini. O sucesso foi imediato e logo, da corte napolitana, a ‘moda’ se espalhou pela Itália e pelo resto da Europa.
Comedores de massa italiana
Ao longo dos dois séculos seguintes, as massas tiveram melhorias na produção, primeiro com máquinas hidráulicas, depois a vapor, depois elétricas e, por fim, máquinas computadorizadas. A tradição de fazer massas, no entanto, permaneceu solidamente italiana. Se a área histórica continua a ser a da Campânia, outras grandes empresas manufatureiras ainda estão ativas na Emília-Romanha e no Centro-Sul, enquanto a tradição secular e difundida da Ligúria foi quase totalmente perdida e hoje possui um único centro de produção importante em Imperia. Os italianos também continuam sendo os maiores consumidores de massas, geralmente temperadas com tomate ou molhos à base de ingredientes diversos, mas também cozidas no caldo. Não surpreendentemente, desde o século XVIII, o apelido de ‘comedores de macarrão’ foi dado aos plebeus napolitanos e, mais recentemente, o epíteto – não muito glorioso, para ser honesto – de macarrão (de macarrão, nome genérico para todo tipo de macarrão ) identificou milhares de emigrantes italianos em todo o mundo.
O consumo de macarrão, junto com o de vegetais e frutas, é a base da dieta mediterrânea, ‘descoberta’ pelos americanos na década de 1970, e se tornou um modelo mundial de alimentação adequada, pois fornece carboidratos balanceados – e, portanto, complexos açúcares, facilmente utilizáveis ​​pelo corpo humano – vitaminas e sais minerais, enquanto a ingestão de gorduras e proteínas animais é mínima. Desde que não seja consumido de forma excessiva ou incorreta, é claro.